A Marquise
Como Morada
(01)
Nada mais dói,
dilacera e corrói
o coração desse poeta,
que ver um semelhante
maltratado, aniquilado
e dormindo ao relento,
como se não fora ele
uma criatura de Deus,
um nosso ente irmão
repleno de sentimentos.
Enfim, um ser humano
indistinguível a mim.
Que sorte “madrasta”
imputada a alguns,
gerada pelos poderosos,
mas só vivida e sentida
por nós os pueris e comuns.
Será que um dia isso muda?
Melhor, será que um dia
o nosso gênero humano
em seu imo se humaniza?
A vilania do egoísmo,
adicionado à hipocrisia
da nefanda e vulgar exclusão,
provedores de tal deterioração,
perpetuam-se e multiplicam-se,
suscitando os pobres renegados,
os deserdados dessa nossa nação,
sob a forma de batalha velada
de irmão contra irmão.
Essa é a guerra mais antiga,
cruel e indecente, pois que,
os antagonistas sequer se tocam
e para ela não há incitação,
a não ser a arrogância do mal
e o sombrio mortiço do coração
... O desatino da vil ambição.
Nesse alucinado conflito
não há arma ou armadura,
tão somente o grito
do sepulcro da emoção.
Parecemos uma imensa
alcatéia de famélicos lobos
sem qualquer brandura
ou discernimento do bem,
pois é lobo comendo lobo
e quando não houver mais
lobos a serem comidos,
o lobo sobrevivente,
morrerá de inanição.
Enquanto uns exclamam:
Lar, doce lar...!
Outros reclamam:
Marquise, amarga marquise...!
Antônio Poeta



FHC & Lula-Lelé
02
Nando Danado,
Lula Fascinado,
deixem de ser maus;
reportem-se ao passado
e ao que tinham como ideal.
Ou será que já naquela época
vocês já nos enganavam
e eram dois incubados
e malvados alienados
a serviço do capital?
Sabe Nando,
sabe Lula, vocês
não podem, sequer,
culparem os cômicos
e os chargistas,
pois nunca tiveram o mínimo
perfil de um real estadista,
nacionalista, então, nem pensar!
Em verdade, mais se assemelhavam,
a um par de fascistas-veranistas,
pois só apeteciam viajar.
Senhor Fernando, senhor Luiz,
nós estamos cheios de vocês!
“Ba(o?)sta de FHC”.
Ba(o?)sta de Lula-lá.
Que nosso próximo
Presidente, seja
de fato Brasileiro e gente!
Aliás, aquilo lá atrás,
de vocês serem perseguidos
foi realmente prisão e exílio,
ou foi teatral conluio-concilio

Saí de reto testas de ferro,
insinceros e ensandecidos
e não voltem nunca mais
entreguistas bandidos
e americanisados.
Bye Nando nefando!
Bye Lula firula!
Antônio Poeta



Tributo A Leonel
03
Você foi emoção,
já eles... Nem eles mesmos
sabem o que são,
pois a inveja e a sabotagem
embotam o pensamento
e desnaturam o sentimento,
desvirtuando a boa ação.
Leonel de Moura Brizola:
Tu foste grande e forte
como os Rios do Sul
e de Janeiro, que
sempre te acolheram,
foste belo e nobre
como um poema
de justiça e liberdade,
foste herói vivo
da santa luta de um povo
em busca de sua dignidade.
Agora, após o sepulcro,
com certeza, sua passagem
será cantada e versada
como epopeica e heroína.
Aí, mesmo os ingratos,
os sem histórias e os
pseudo desmemoriados,
todos te aclamarão
como o mentor-gênio
do nosso socialismo,
como o maior dentre
todos os bravos,
como um gigante,
invergável e herculino,
do nosso combalido e
venerável nacionalismo.
("não é verdade?")
Antônio Poeta



Maldito Sejas
Para Sempre!
05
Maldito homem de guerra.
Insensível mandatário da terra.
O que se passa nesse seu coração,
ente de gelo e sem nenhuma emoção?

Acreditas de verdade, teres todo o poder?
Não cogitas sobre o castigo, vir a te abater?
Quem te nomeou como xerife do nosso mundo?
Quem és para julgar e punir a todos, seu imundo?

Besta apocalíptica, mensageiro da morte,
eu pueril poeta, prevejo sua futura e triste sorte:
Serás pelos milênios vindouros, uma ameba unicelular.
Você e seus facinorosos coniventes, logo hão de nos pagar.

Se você cretino Presidente e toda essa sua gente,
não estabelecessem o desrespeito de modo tão ardente,
com certeza, nesse nosso mundo de Deus, não haveria terror,
e sim, emanaríamos nos quatro cantos do globo a caridade e o amor.

Saiba abominável coisinha Bush e todo o seu povoléu,
já há muito que fostes desmascarado, já há muito caiu o véu.
Hoje, não só os sensíveis e os intelectuais, mas todos de forma geral,
exigem a tua rendição ao bem ou a tua ida de vez, para o escaldante umbral

Cruelmente descapitalizando e deformando outros estados,
além de profanar suas fronteiras, vocês só estimulam os atentados.
Até quando, ainda, seus sanguinários, imaginarão que o poder é vossa sina?
Fato, que a mãe Rússia quase já se rendeu, mas continua inabalável forte a tia China!
Antônio Poeta



“Upa Neguinhos”
06
Upa neguinhos no asfalto, na praça,
na esquina, no bar, no sinal a pedir...
Vejo-vos sós e me emociono, porque sei
que o pouquinho mais que eu tenho, acabo
é por te suprimir, enfim, por subtrair de vós!
Amanhã, quando estiverdes maior, ao pedirdes
e ao não serdes atendidos, não vos restareis outra
opção, senão a urgência da sobrevivência de se provir.
Aí, perdereis a combalida inocência,
e me tomareis... Resgatareis de mim.
Pela vossa prisão clamarei; se fordes
mortos, ignorarei: Afinal, sois do mal.
O mal que vos fizemos e que jaz retorna,
parecendo sedento pela vil desforra,
de nunca termos a vós permitido
serdes meninos e os deixarmos
excluídos e banidos, tal qual
meros-meninos-mínimos.
De novo me emocione!
"Todo menino é um rei,
eu também já fui rei"
Antônio Poeta



Preconceito Social
07
Os tabus sociais
não raras vezes,
inserem a desarmonia
vitimando grandes amores.
E o que tendia a ser
uma epopéica história
a se viver, facilmente,
finda em agonia.
O que tem o dinheiro,
peca por covardia,
o que não o tem,
peca por pouca ousadia,
e aquele alheio que
interfere marotamente
peca por hipocrisia.
Que bom se as pessoas
não enleassem intuição
com prejulgamento,
ou com a pérfida intrusão.
Como privilegiar o dinheiro
em dano a uma paixão?
Como permitir que terceiros;
parentes das partes
ou supostos amigos,
expirem a nossa emoção?
Não é que a matéria seja ruim,
mas quando em aferição
com o amor, ela deveria estar
em valor, sempre ao fim.
Reaja então, firme sua opinião,
aborte essa neuro de preconceito,
seja veemente, estufe o peito,
para tudo se tem jeito, só para
a avaria do amor, que não!
Antônio Poeta



Anarquista, Eu?
08
Nunca ansiei pela quietude,
ao contrário, a desprezo e ignoro.
Não sou simpático ao “explicadinho”,
prefiro o contradito e o simplório.
Preciso estar atento e em alerta
para ouvir meu próprio grito.
Maior das vezes
grito, não por mim,
mas pelo social,
pois não consigo me calar
diante das avancistas marchas
do capital sobre o social.
Esse poder indecente,
corrupto e excludente
que produz o genocídio
da minha “espécie nacional”.
Pensam eles que o Pai
não lhes cobrará mais à frente,
quando na outra dimensão?
Todos... Muitos dentes rangerão.
Então, entenderão
como teria sido bom,
que quando encarnados
tivessem atuado,
simplesmente como gente,
pois todos somos irmãos.
Desvairados e inebriados
em seu poder alucinante,
produzem a dor incessante,
represam o ódio e a rebeldia
em meus semelhantes,
nutrindo-lhes a menos valia.
Transformam-nos em reles
animais indigentes,
sendo que muitos se resignam
e se portam como coelhos,
já outros, mais revoltosos
e opiniosos como eu,
transmudam-se em
insolentes serpentes.
Minha poesia é vadia
como vadia o é,
a minha existência.
Meu ser indignado
cultiva a liberdade,
prega a igualdade,
sem abster-se de
vadiar com dignidade,
com a nobreza de um
"excelso revoltado".
Rebelando-me sou um vadio,
vadiando, espelho e reflito
toda minha emoção
ao lidar e lutar
contra todas as facetas
da injustiça e da opressão.
Faço minha parte,
ínfima, eu reconheço,
mas, incomodo o poder
formando opinião,
para que um dia
essa nação seja de novo
propriedade de seu povo,
como antes da colonização.
Não a dos antigos europeus,
sim, a dos modernos
imperiosos americanos
que produzem a exclusão...
E que têm como Deus,
o capital profano!
Antônio Poeta